Dom Osório e a alegria pela canonização de São José Allamano: uma mensagem que permanece atual

 

O testemunho gravado em outubro de 2024 revela a profunda sintonia do bispo missionário com os valores da missão, da sinodalidade e da santidade, pilares da espiritualidade consolata.

Por Redação

Dom Osório Citora Afonso, assassinado em 6 de junho de 2026, deixou diversos testemunhos que revelam sua profunda espiritualidade missionária, seu amor pela Igreja e sua fidelidade ao carisma da Consolata. Missionário da Consolata, bispo da Diocese de Quelimane, Secretário-Geral da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) e administrador apostólico da Arquidiocese da Beira, em Moçambique, Dom Osório foi assassinado dentro da residência episcopal, deixando um legado de serviço, diálogo e dedicação ao Evangelho.

Entre suas mensagens mais significativas está o testemunho gravado por ocasião da canonização de José Allamano, fundador dos Missionários e Missionárias da Consolata. Publicada em 19 de outubro de 2024 pelos meios de comunicação do Instituto Missões Consolata, a mensagem destaca três dimensões centrais da herança espiritual do fundador: a missionariedade, a sinodalidade e a santidade.

Na ocasião, Dom Osório expressou sua alegria pelo reconhecimento da santidade daquele que inspirou sua vocação missionária e a de milhares de homens e mulheres que, ao longo das décadas, dedicaram suas vidas ao anúncio do Evangelho nos mais diversos continentes.

Confira a íntegra da mensagem:

"Vivemos um momento muito especial e particular, não apenas para a nossa família religiosa, como queria o pai fundador, mas também para toda a Igreja: a canonização do nosso pai fundador, José Allamano.

Vivê-lo neste momento é para mim motivo de muita alegria, destacando sobretudo três aspectos.

Missionariedade

O nosso fundador dizia: 'Primeiro santos, depois missionários'.

Ser canonizado no mês dedicado às missões é um orgulho para este pai da nossa família religiosa, que também quis, em seu tempo, que houvesse um domingo dedicado às missões.

Creio que é um reconhecimento por parte do Santo Padre, que quis que ele fosse canonizado no Domingo das Missões.

Portanto, o primeiro sentimento que vivo é o de gratidão por este dom da missão.

Canonizar Allamano neste domingo é dar força a esta dimensão importante que o Santo Padre, desde o início do seu pontificado, sublinhou: 'Eu sou uma missão nesta terra'.

Há uma correlação entre o nosso pai fundador e o que o Papa quer para a sua Igreja: a consciência de ser uma missão.

Sinodalidade

Agradeço ao Senhor por este acontecimento através da sinodalidade, algo que Allamano queria para os seus filhos como um espírito de família.

Ele dizia: 'Vocês são uma família e devem viver como se fossem uma família, e devem caminhar juntos'.

Ser canonizado no momento em que a Igreja se reúne para viver o Sínodo sobre a Sinodalidade é motivo de muita alegria.

Obrigado, Beato Allamano, por nos dar a graça de sermos missionários da Consolata para caminharmos juntos.

Santidade

O terceiro aspecto é a santidade.

Ele repetia: 'Primeiro santos, depois missionários'.

Creio que isso é muito importante, pois o Santo Padre também sublinha constantemente a santidade em seus discursos.

Portanto, canonizar Allamano no mês da missão e da sinodalidade é também um chamado à santidade.

Obrigado."

Uma mensagem que atravessa o tempo

A referência de Dom Osório ao "Beato Allamano" deve ser compreendida dentro do contexto histórico em que a mensagem foi gravada. Em 19 de outubro de 2024, véspera da celebração da canonização, José Allamano ainda possuía oficialmente o título de Beato.

No dia 20 de outubro de 2024, durante a celebração do 98º Dia Mundial das Missões, na Praça São Pedro, no Vaticano, o Papa Francisco canonizou José Allamano, reconhecendo oficialmente sua santidade e apresentando-o à Igreja universal como São José Allamano.

Nascido em Castelnuovo Don Bosco, na Itália, em 21 de janeiro de 1851, José Allamano foi sacerdote da Arquidiocese de Turim e reitor do Santuário da Consolata por mais de quatro décadas. Animado por um profundo ardor missionário, fundou em 1901 os Missionários da Consolata e, em 1910, as Missionárias da Consolata, institutos dedicados à evangelização dos povos que ainda não conheciam Cristo.

Seu legado continua vivo em dezenas de países da África, América, Ásia e Europa, por meio da atuação de missionários e missionárias comprometidos com a evangelização, a promoção humana, o diálogo intercultural e a defesa da dignidade dos povos.

Ao recordar estas palavras de Dom Osório Citora Afonso, sua voz ressoa hoje como um testemunho de fidelidade ao carisma consolata. Missionário, pastor e discípulo de São José Allamano, ele destacou na véspera da canonização aquilo que marcou também a sua própria vida: a missão vivida com espírito de família, o caminhar juntos na Igreja e a busca constante da santidade.

Em um momento em que a Igreja e a família consolata choram sua partida, a mensagem de Dom Osório permanece como um convite a renovar o compromisso missionário e a manter viva a herança espiritual deixada por São José Allamano.

VÍDEO NA ÍNTEGRA

Fontes: Instituto Missões Consolata – Mensagem de Dom Osório Citora Afonso por ocasião da canonização de José Allamano (19 de outubro de 2024).Vaticano – Celebração de canonização de São José Allamano presidida pelo Papa Francisco (20 de outubro de 2024).Arquivo dos Missionários da Consolata.

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