Curso G50: missionários celebram 50 anos de sacerdócio renovando a paixão pela missão
Participantes do Curso de Formação Permanente reunidos com os membros da Direção Geral dos Missionários da Consolata. (Foto: Jaime C. Patias)
Encontro realizado em Roma reuniu 12 Missionários da Consolata para um mês de formação permanente, reflexão sobre a vocação missionária e renovação do compromisso com o carisma de São José Allamano.
A celebração eucarística realizada no sábado, 30 de maio, marcou o encerramento do Curso G50, promovido em Roma para Missionários da Consolata que celebram 50 anos de ordenação sacerdotal. Durante quase um mês, doze missionários provenientes de diferentes partes do mundo participaram de um intenso percurso de formação permanente, marcado pela oração, partilha de experiências, reflexão sobre a missão e aprofundamento do carisma do Instituto.
O curso teve início no dia 4 de maio e abordou temas como a Palavra de Deus e a Vida Consagrada, as diferentes etapas da vida, os desafios da missão no mundo contemporâneo, a memória do fundador São José Allamano, o diálogo com a Direção Geral do Instituto e o cuidado na terceira idade.
A iniciativa foi organizada pelo Escritório Geral para a Formação e coordenada pelo conselheiro geral padre Mathews Odhiambo Owuor, com a colaboração dos padres Antonio Rovelli e Ernesto Viscardi.
Cinquenta anos de fidelidade missionária
A cerimônia de encerramento começou na Sala das Colunas da Casa Geral dos Missionários da Consolata, em Roma. Em um ambiente repleto de simbolismo, os participantes expressaram sentimentos de gratidão e esperança ao recordar meio século de vida sacerdotal e missionária.
“Queremos agradecer ao Senhor pelos 50 anos de vida sacerdotal que sua bondade nos concedeu, anos de dedicação à missão, de serviço generoso à Igreja e de amor aos povos vivido na alegria e na fidelidade cotidiana”, afirmaram os missionários no início da celebração.
Eles também renovaram diante de Deus o compromisso missionário, pedindo a graça de continuar servindo ao Instituto por meio do testemunho, do acompanhamento das novas gerações e da promoção da comunhão missionária.
Em seguida, os participantes seguiram em procissão até a capela da comunidade, onde a Santa Missa foi presidida pelo Superior Geral, padre James Lengarin.
A missão é graça e identidade
Durante a homilia, padre James destacou que o ministério sacerdotal e a missão não podem ser reduzidos a simples atividades.
“A missão não é uma atividade, mas uma identidade; não é um projeto, mas uma graça; não é um mérito, mas uma resposta”, afirmou.
Dirigindo-se especialmente aos participantes do G50, o Superior Geral ressaltou que a celebração não recordava apenas uma data significativa, mas a fidelidade de Deus ao longo da história de cada missionário.
Ele destacou quatro motivos de ação de graças:
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A fidelidade de Deus, presente em todos os continentes onde atuaram;
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A perseverança dos missionários diante das alegrias e dificuldades;
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A fecundidade escondida, conhecida plenamente apenas por Deus;
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A comunhão que sustentou cada um como membro da família missionária da Consolata.
Padre James também os encorajou a continuarem sendo testemunhas de Cristo, inspirados pelo exemplo do apóstolo Paulo, de Jesus e de São José Allamano, mantendo viva a missão de consolar e evangelizar.
Uma carta ao fundador
Um dos momentos mais significativos do encerramento foi a apresentação de uma carta simbólica dirigida a São José Allamano. Inspirados nos diários que os primeiros missionários enviavam ao fundador, os participantes do curso redigiram um texto no qual revisitaram a própria trajetória missionária e refletiram sobre os desafios atuais da evangelização.
Na carta, os missionários recordam que pertencem à geração pós-Concílio Vaticano II, marcada pela renovação da teologia da missão, pelo compromisso com a justiça, pela promoção da dignidade humana e pela compreensão da missão como participação no projeto de Deus para toda a humanidade.
Eles reafirmam também o ideal deixado por Allamano: “primeiro santos, depois missionários”, reconhecendo que, apesar das limitações humanas, procuraram viver ao longo de décadas a paixão missionária e a disponibilidade para servir onde fossem enviados.
Gratidão pelo passado e olhar para o futuro
Ao recordar os cinquenta anos de vida missionária, os participantes agradeceram a Deus pelo chamado recebido e pela herança espiritual de São José Allamano e da devoção à Nossa Senhora Consolata. Também destacaram o crescimento do Instituto, que hoje conta com numerosos missionários provenientes das próprias Igrejas locais onde os membros de sua geração atuaram e semearam o Evangelho.
Ao mesmo tempo, manifestaram preocupação com alguns desafios do presente. Segundo eles, em meio às profundas transformações culturais e sociais do mundo contemporâneo, é importante que o Instituto continue preservando sua identidade missionária ad gentes, voltada especialmente para os povos e ambientes onde Cristo ainda é pouco conhecido.
Os missionários também ressaltaram a necessidade de fortalecer, durante os processos formativos, os elementos essenciais da identidade dos Missionários da Consolata e o espírito de dedicação incondicional à missão.

O testemunho que continua inspirando
Como sinal de vínculo com o fundador, todos os participantes receberam uma imagem de São José Allamano com uma relíquia. Também receberam o livro As Idades da Vida, de Romano Guardini, em memória dos temas trabalhados durante o curso.
Na ocasião, o vice-superior geral, padre Michelangelo Piovano, recém-chegado do Brasil juntamente com o padre James Lengarin após a Visita Canônica às 22 comunidades da Região Brasil, compartilhou sua experiência nas comunidades missionárias visitadas, especialmente entre os povos indígenas da Amazônia.
Segundo ele, a chama do carisma deixado por São José Allamano continua viva e visível nas comunidades missionárias. Dirigindo-se aos participantes do G50, destacou que o mesmo amor pela missão que sustentou seus cinquenta anos de evangelização continua atraindo jovens para a vocação missionária, exigindo das gerações mais experientes acolhida, acompanhamento e testemunho.
Herança para as novas gerações
Na conclusão da carta dirigida ao fundador, os missionários afirmam não buscar reconhecimentos ou homenagens, mas expressam alegria ao deixar para o Instituto, para as Igrejas locais e para as novas gerações o legado de inúmeras comunidades cristãs formadas, obras sociais realizadas em diversos continentes e missionários acompanhados ao longo dos anos.
Agora, afirmam, desejam viver esta nova etapa oferecendo oração, sabedoria e experiência missionária, aguardando serenamente o encontro definitivo com Deus e com Nossa Senhora Consolata, por quem dedicaram a vida inteira à evangelização.
O curso foi encerrado com agradecimentos à Direção Geral, à comunidade da Casa Geral e à equipe de formação. Padre Mathews Odhiambo destacou a participação ativa dos missionários e observou que as avaliações realizadas durante o encontro contribuirão para a preparação da próxima edição do Curso G50, prevista para setembro de 2026.