Quando ainda existiam árvores
Marcus Eduardo de Oliveira, colaborador da revista Missões, responsável pela rubrica Fé em Ação, lança o livro “Quando ainda existiam árvores”, em parceria com Dal Marcondes.
Os saberes da ciência apontam que os destinos da humanidade e de toda a biodiversidade estão ameaçados. Ninguém está imune. Os desencaixes e riscos, os sofrimentos e as calamidades, quase todas de ordem exclusivamente ambiental, criam um mal-estar generalizado. A má saúde planetária, combinada a “um sistema com desigualdades gritantes (que) sobrevive há séculos” (palavras de Boaventura de Sousa Santos), ambos, portanto, gestados pela obsessão do expansionismo a qualquer custo, ditam o tom aterrador da realidade cotidiana.
No rigor da análise, todos os impasses ecológicos e desacertos planetários, coloquemos assim, fazem erodir as bases que nos sustentam. Em linguagem técnica, ao romper o equilíbrio dinâmico que um dia existiu na relação Homem-Natureza, aproximamo-nos de pontos de inflexão (tipping points).
Sob os holofotes do Antropoceno, estamos dificultando a construção de um mundo sustentável e saudável, notadamente porque, no palco da vida, não cessamos de forjar diversos problemas ecológicos. Diante dessa dura realidade, “estamos longe de nos tornarmos comissários responsáveis da Terra” (Lovelock).
Seja como for, nessa era de profunda degradação planetária causada pelos humanos, e diante da emergência climática, de uma verdade não se pode escapar: guiados por uma visão materialista, nós, os modernos, temos sido incapazes de gerenciar (e proteger) a diversidade da vida na Terra. E só por isso, agora não cabem mais surpresas: a crise ecológica (planetária) chegou, e nós fazemos parte disso. Melhor dizendo, nós (sociedade humana) somos os vetores da tragédia.
Portanto, pesa reconhecer de início que agravamos a situação atual, à medida que projetamos intensas atividades emissoras de carbono, um de nossos pecados ecológicos mais gritantes. Partindo dessa base, também não devemos esquecer, até mesmo para que se compreenda a situação cotidiana, que estamos numa era de massiva interferência humana no meio ambiente, o que estimula a agonia do planeta. Nessa era em que nos encontramos, nunca deixamos de nos orientar por uma ordem econômica de mais produção (que, aliás, bem poderíamos chamar de mercado mundial de produtos e capitais), ou, em outros termos, poder-se-á dizer abertamente que estamos diante de um modelo dominante que busca crescimento indefinido, e assim projeta a atual crise do sistema terrestre. Daí em diante, constatado esse fato, os especialistas são taxativos: no lugar de uma relação harmoniosa, temos nos especializado em estimular múltiplas ameaças à ordem ecológica (isto é, à comunidade, ao ecossistema, à biosfera).
De qualquer forma, em todo esse contexto, é altamente significativo perceber que quase ninguém mais coloca em dúvida que a situação atual (à beira de um desastre climático irreversível, reconheçamos) é delicada, e guarda seus momentos de elevada preocupação, principalmente quando se leva em conta - quando o bom senso emerge, é claro - que a contundente advertência de Edgar Morin (sempre preocupado em nos chamar à conscientização para as distorções de nosso tempo) faz todo sentido: “o capitalismo não está em crise; é ele que causa a maioria das crises, incluindo a crise ecológica”.
Dal Marcondes é jornalista, consultor e uma das vozes mais respeitadas na agenda da sustentabilidade no Brasil.
Marcus Eduardo de Oliveira é economista e ativista ambiental. Colaborador da revista Missões, responsável pela rubrica Fé em Ação.
Serviço: Lançamento do livro “Quando ainda existiam árvores”
Autoria: Marcus Eduardo de Oliveira e Dal Marcondes
Editora Multifoco
Quando: 24 de setembro de 2026
Onde: Corecon - Rua Líbero Badaró 425 - 14º andar - Centro - São Paulo - SP
Horário: 9h