Declaração de Roma reforça compromisso ético da Igreja diante da inteligência artificial e das armas nucleares

17 de julho de 2026

 

Documento reúne representantes da Santa Sé, organismos internacionais, especialistas e líderes religiosos para defender que o desenvolvimento tecnológico esteja a serviço da paz, da dignidade humana e do bem comum.

Por Redação

Em um momento marcado pelo rápido avanço da inteligência artificial e pelo aumento das tensões geopolíticas, a Santa Sé reafirmou seu compromisso com uma cultura da paz ao participar da assinatura da Declaração de Roma, documento que propõe princípios éticos para o desenvolvimento e a utilização das novas tecnologias, especialmente da inteligência artificial, e renova o apelo internacional pelo desarmamento nuclear.

O texto reúne representantes de instituições acadêmicas, organizações internacionais, comunidades religiosas e especialistas de diversas áreas em torno de um objetivo comum: garantir que a inovação tecnológica permaneça a serviço da humanidade, preservando a dignidade da pessoa, os direitos fundamentais e a responsabilidade moral nas decisões que envolvem a vida humana.

Mais do que um compromisso técnico, a Declaração de Roma apresenta uma reflexão ética sobre os rumos da sociedade contemporânea. O documento alerta que o progresso científico, quando desvinculado de valores humanos, pode ampliar desigualdades, favorecer novas formas de exclusão e potencializar conflitos, especialmente diante da crescente utilização da inteligência artificial em sistemas militares.

A tecnologia deve servir à vida

A Declaração reconhece os benefícios que a inteligência artificial pode oferecer em áreas como medicina, educação, pesquisa científica, proteção ambiental e desenvolvimento sustentável. No entanto, ressalta que essas ferramentas jamais podem substituir a consciência moral nem retirar do ser humano a responsabilidade pelas decisões tomadas.

O documento também manifesta preocupação com o desenvolvimento de sistemas autônomos capazes de selecionar alvos ou tomar decisões letais sem controle humano significativo. Para os signatários, a delegação de decisões dessa natureza às máquinas representa um grave desafio ético e jurídico para a comunidade internacional.

Nesse contexto, a iniciativa reforça a necessidade de estabelecer normas globais de governança da inteligência artificial, baseadas na transparência, na responsabilidade, na inclusão e na proteção dos direitos humanos.

Paz não pode depender do medo

Outro eixo central da declaração é a renovação do compromisso pela eliminação das armas nucleares. A Santa Sé recorda que uma paz duradoura não pode ser sustentada pela lógica da dissuasão ou pela ameaça da destruição em massa, mas pelo diálogo entre os povos, pela cooperação internacional e pela construção da confiança.

Esse posicionamento está em continuidade com o ensinamento recente da Igreja, que considera moralmente inaceitável não apenas o uso, mas também a posse de armamentos nucleares, por representarem uma ameaça permanente à humanidade.

Um chamado em sintonia com a Doutrina Social da Igreja

Para a Igreja Católica, toda inovação tecnológica deve ser avaliada à luz da centralidade da pessoa humana. A Doutrina Social da Igreja recorda que a ciência e a técnica constituem importantes expressões da criatividade humana, mas precisam estar orientadas pelo bem comum, pela solidariedade e pelo cuidado com a Casa Comum.

Nos últimos anos, a Santa Sé tem intensificado sua reflexão sobre os impactos da inteligência artificial. A partir da Rome Call for AI Ethics, lançada em 2020, diferentes universidades, empresas de tecnologia e instituições internacionais passaram a colaborar na construção de princípios éticos para o desenvolvimento dessas ferramentas.

A assinatura da nova Declaração de Roma amplia esse compromisso, incorporando também as preocupações relacionadas ao uso militar da inteligência artificial e aos riscos decorrentes da corrida armamentista tecnológica.

Uma responsabilidade compartilhada

O Papa Leão XIV tem destacado que a inteligência artificial representa uma das maiores transformações culturais do século XXI e que seu desenvolvimento exige discernimento ético, cooperação internacional e responsabilidade coletiva. Em diferentes pronunciamentos, o Pontífice recorda que nenhuma tecnologia é neutra: seus efeitos dependem das escolhas humanas e dos valores que orientam sua aplicação.

Essa visão encontra eco na missão evangelizadora da Igreja, que busca promover uma cultura do encontro, da fraternidade e da paz entre os povos. Para os Missionários da Consolata, cuja presença se estende a diversos contextos marcados por conflitos, pobreza e exclusão, o debate sobre ética, tecnologia e desenvolvimento humano integral possui especial relevância, pois está diretamente ligado à defesa da vida, da justiça social e da dignidade de todas as pessoas.

Ao reafirmar esses princípios, a Declaração de Roma convida governos, universidades, empresas e toda a sociedade a assumir uma responsabilidade comum: fazer com que o progresso científico permaneça verdadeiramente a serviço da humanidade e da construção de um futuro marcado pela paz, pela solidariedade e pelo respeito à vida.

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