Capela fortalece a missão das Irmãs da Consolata na periferia de Merlo, Argentina
Fruto da missão popular realizada em 2010, a comunidade reúne religiosos, religiosas e leigos na evangelização e no acompanhamento pastoral de famílias, especialmente de imigrantes paraguaios.
A missão da Família Consolata em Merlo, na região metropolitana de Buenos Aires, na Argentina, tem uma longa história de presença e compromisso pastoral. Iniciada na década de 1960, a atuação dos Missionários e das Missionárias da Consolata contribuiu para a formação de comunidades e para o desenvolvimento de iniciativas educativas e evangelizadoras. Um dos frutos desse caminho é a Capela Consolata, construída com a participação de religiosos, religiosas e leigos missionários.
Localizado a oeste da capital argentina, Merlo integra a extensa área urbana conhecida como Grande Buenos Aires. Ao longo das décadas, a região recebeu famílias de diferentes partes do país e de nações vizinhas, como Paraguai e Bolívia, que formaram novos bairros e comunidades. Nesse contexto, a Família Consolata desenvolveu um trabalho pastoral contínuo, que também favoreceu a formação de um grupo de Leigos Missionários da Consolata (LMC), ainda ativo na região.

Uma missão que deu origem à capela
Em 2010, por ocasião do centenário da fundação das Missionárias da Consolata, foi realizada uma grande missão popular na região do Parque El Sol. A iniciativa reuniu Missionários da Consolata (IMC), Missionárias da Consolata e integrantes dos LMC, com o objetivo de levar a presença da Igreja a uma área com pouca atuação pastoral.
A irmã Maria Elena recorda que a escolha do local foi resultado de um processo de oração e discernimento. A equipe procurava uma região que pudesse acolher um grande número de missionários e, ao mesmo tempo, apresentasse maior necessidade de presença e acompanhamento da Igreja. A opção foi a Paróquia de Pompeia, especialmente os arredores das capelas de Guadalupe e San Cayetano.
Durante a missão, as famílias, apesar das dificuldades econômicas, acolheram os missionários em suas casas. A solidariedade marcou a experiência: vizinhos compartilharam espaços para dormir e contribuíram com a alimentação, demonstrando a disposição da comunidade em participar da iniciativa.
A missão abriu caminho para a criação de um centro pastoral, que se tornou a atual Capela Consolata. O terreno, já utilizado pelas irmãs em atividades pastorais, foi escolhido por sua localização central e estratégica para atender às famílias da região.

Leigos e comunidade local dão continuidade à missão
A construção da capela foi resultado da colaboração de diferentes membros da Família Consolata, entre padres, noviços, seminaristas, irmãs e leigos. Cada grupo contribuiu com seus dons e capacidades para consolidar a presença missionária no bairro.
Betty, missionária leiga da Consolata, recorda que, durante quase dez anos, ela e outras leigas percorreram as ruas e visitaram famílias, a convite do então pároco, padre Rubén Lopez, já falecido. O trabalho era realizado em conjunto com as Missionárias da Consolata e com os missionários da Paróquia de Pompeia.
Segundo Betty, a presença de uma numerosa comunidade de imigrantes paraguaios favoreceu a aproximação e o estabelecimento de vínculos. Com o tempo, missionários e moradores trabalharam juntos na construção da capela, que passou a ser um espaço de encontro e de vivência da fé.
Atualmente, a própria comunidade local dá continuidade às atividades pastorais. Seus integrantes assumem responsabilidades na organização e na condução das celebrações, mantendo viva a missão e manifestando o desejo de levar a Palavra de Deus a outras localidades.

Betty destaca também a importância da espiritualidade que sustentou o caminho da comunidade, marcada pela presença de São José Allamano, fundador dos Missionários e das Missionárias da Consolata, e pela devoção a Nossa Senhora Consolata.
Mesmo depois de encerrarem sua atuação regular no local, as missionárias leigas continuam retornando à capela para celebrar a festa de Nossa Senhora Consolata e renovar seu compromisso missionário. Foi também nessa comunidade que surgiu a vocação laical de Marisa, descrita por Betty como uma mulher forte e dedicada, cuja participação representa um dom para o grupo dos LMC.
A experiência de Merlo mostra como a colaboração entre religiosos, religiosas e leigos pode contribuir para o nascimento e o fortalecimento de comunidades cristãs. A Capela Consolata permanece como sinal desse percurso missionário, no qual a presença da Igreja se constrói a partir do encontro com as famílias, da solidariedade e do protagonismo dos próprios moradores.
Stefania Raspo, MC, é Missionária da Consolata na Itália.