A Consolata nos reune, forma e envia
Mensagem do Superior Geral dos Missionários da Consolata aos missionários e missionárias espalhados pelo mundo, por ocasião da festa da Padroeira.
O Superior Geral dos Missionários da Consolata, padre James Bhola Lengarin enviou mensagem aos missionários e às missionárias, por ocasião da festa de Nossa Senhora, em 20 de junho.
Esse ano, a celebração da festa da Consolata tem um significado especial, pela comemoração do centenário de chegada ao céu do fundador dos Institutos Missionários, o padre José Allamano, santificado pelo papa Francisco em 20 de outubro de 2024.
Acompanhe a íntegra da mensagem do padre James
"Eis que farei fluir para ela a paz como um rio; a riqueza das nações como uma torrente que transborda. Os seus bebés serão levados ao colo, e serão acariciados sobre os joelhos. Assim como uma mãe conforta o seu filho, eu também te confortarei a ti; em Jerusalém serás consolado." (Isaías 66:12-13)
"Depois regressaram a Jerusalém pelo Monte das Oliveiras, que é próximo de Jerusalém como o caminho permitido num sábado. Ao entrarem na cidade, subiram à sala de cima, onde costumavam hospedar-se. Ali estavam Pedro e João, Tiago e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus, Tiago filho de Alfeu e Simão, o Zelote, e Judas, filho de Tiago. Todos estes tinham os mesmos sentimentos e eram assíduos na oração, juntamente com algumas mulheres e com Maria, mãe de Jesus, e com os seus irmãos". (Atos 1:12-14)
Caros irmãos e irmãs, missionários e missionárias, benfeitores e amigos da Consolata, por ocasião da Festa da Virgem Maria Consolata, nossa Mãe e fonte de inspiração, desejo chegar até vós com uma mensagem de comunhão, gratidão e esperança. Lembremo-nos da profunda convicção que São José Allamano amadureceu no silêncio do Santuário de Turim e que ele encerrou nestas palavras: "Façam tudo pela Consolata, com a Consolata, para a Consolata." Nascida de uma devoção que pertence ao coração da nossa história, esta exortação continua a desafiar-nos e guiar-nos, para que a Festa da Consolata não seja um simples aniversário, mas um tempo de graça para redescobrir a beleza do nosso chamamento e a força que sustenta a nossa missão no mundo.
Quero exprimir a minha sincera gratidão a cada um de vós pela dedicação, fidelidade e generosidade com que continuais a dar as vossas vidas pelo Evangelho. Onde quer que estejais, muitas vezes em contextos difíceis e distantes, o vosso testemunho é um sinal concreto do amor compassivo de Deus pela humanidade.
Na Consolata reconhecemos a presença de uma Mãe que nos precede, nos acompanha e apoia nas alegrias e dificuldades da missão. Com Maria, Consoladora dos Aflitos, fixemos o olhar nas inúmeras feridas do mundo e aprendamos dela a compaixão que sabe ver, ouvir, estar perto e cuidar.
Nuvens negras continuam a acumular-se sobre o nosso tempo: guerras que semeiam morte e destruição, migrações forçadas que destroem famílias e comunidades, doenças que afetam os mais vulneráveis, desemprego que apaga as esperanças dos jovens, solidão que pesa sobre os idosos, pobreza que fere a dignidade humana. Maria leva-nos pela mão e conduz-nos a estas feridas, para que, como missionários da Consolata, possamos ser sinais de justiça, artesãos da paz e testemunhas da esperança.
20 de junho, dia da Festa da Consolata, é também o Dia Mundial do Refugiado, criado pelas Nações Unidas para prestar homenagem à força e resiliência de milhões de pessoas forçadas a abandonar a sua terra natal devido à guerra, violência e perseguição. Maria conhece o drama do exílio por dentro: juntamente com José e o Menino Jesus, teve de procurar refúgio no Egito (cf. Mt 2:13-15.19-23). Por esta razão, continua a acompanhar a jornada das pessoas deslocadas e refugiadas, partilhando as suas ansiedades e esperanças. Convida-nos a estar perto dos pobres, dos deslocados, dos aflitos, inclinando-nos com compaixão perante as suas feridas para derramar "o óleo da consolação e o vinho da esperança".
Allamano afirmava: "A Consolata é para todos, mas especialmente para quem mais precisa." Confiemos, portanto, à sua intercessão: as vítimas das guerras e aqueles que trabalham pela paz, os migrantes, os doentes e aqueles que cuidam deles, os pobres sem pão e sem voz, os jovens sem trabalho, os idosos sozinhos. Uma intenção especial para as nossas comunidades.
Caros missionários, neste ano, dedicado de forma especial à nossa vida comunitária, gostaria de apresentar à Virgem Consolata uma intenção especial: que o seu exemplo e a sua presença materna nos sustentem na construção de comunidades capazes de valorizar as diferenças, curar feridas, gerar confiança e testemunhar o Evangelho com as nossas vidas, mesmo antes das nossas palavras. O nosso testemunho só será credível se as nossas comunidades forem sacramentos vivos da consolação de Deus: pequenas luzes que brilham no escuro, sementes do Evangelho que brotam em silêncio, com as Pessoas de Jesus e Maria no centro como companheiras de viagem.
Tal como na Sala Superior, onde os Apóstolos perseveravam unidos com Maria esperando pelo Espírito Santo, é também ela quem hoje nos reúne, nos educa na comunhão e nos impulsiona para a missão. Sob a sua orientação maternal, somos chamados a construir uma fraternidade que não cede à cultura do individualismo, pressa e eficiência, mas que sabe cultivar a escuta mútua, a aceitação incondicional, o perdão e a partilha fraterna. Uma fraternidade missionária que não foge da complexidade do mundo, mas o habita com coragem evangélica, discernimento profético e profunda compaixão.
Confiamos à Consolata: as nossas comunidades para que sejam casas de fraternidade, as nossas missões para fazer brilhar a luz onde há escuridão, os povos que servimos para que possam experimentar paz e dignidade, os benfeitores e amigos para que possam ser recompensados pela sua ternura. Sob o seu olhar, tudo pode renascer.
Como recordava Allamano: "A Consolata faz tudo." Rezo por todos vós para que, juntamente com Maria, continueis a levar Jesus, o verdadeiro Consolador, a lugares de primeira evangelização, a comunidades cristãs em crescimento, a contextos urbanos e periféricos marcados pela pobreza, migração e fragilidade. Que a vossa presença seja um sinal concreto da proximidade de Deus, que consola e eleva. Que esta Festa da Consolata faça renascer em cada um de nós a frescura da nossa vocação, renove a nossa ardente paixão pela missão e nos confirme na certeza de que Maria, Mãe da Consolação e Rainha das Missões, continua a nos preceder, proteger e interceder por todos os seus filhos.
A todas as comunidades, com carinho e profunda gratidão, desejo uma feliz e santa Festa da Consolata neste ano de 2026.
James Bhola Lengarín, Superior Geral dos Missionários da Consolata, em 10 de junho de 2026.