Romaria da Família Consolata: uma memória que continua a caminhar

Fotos: Arquivo IMC

Por ocasião da festa da padroeira, toda a Família Consolata celebrou também o centenário da chegada ao Céu do fundador dos Institutos Missionários da Consolata, São José Allamano, com romaria em São Manuel, São Paulo.

Por Maurício Guevara

Há memórias que não pertencem ao passado. São fontes que continuam a brotar. Foi assim que a Família Consolata viveu a Romaria em honra ao centenário do nascimento para o Céu de São José Allamano, realizada no domingo, 21 de junho, em São Manuel, cidade do interior do estado de São Paulo, que guarda quase 90 anos da presença dos Missionários e das Missionárias da Consolata no Brasil.

Vindos de Curitiba, São Paulo e de diversas comunidades, padres, leigos, irmãs e amigos da Missão se colocaram a caminho. Mais de 120 peregrinos chegaram em ônibus e carros particulares para celebrar não apenas uma história, mas uma herança espiritual que continua fecundando vidas.

Desde a quinta-feira anterior, os seminaristas do Teológico Internacional dos Missionários da Consolata no Brasil e irmãs Missionárias da Consolata,  já animavam a cidade com o entusiasmo da juventude missionária. A sua presença recordava uma das mais belas intuições de São José Allamano: a Missão não é uma lembrança, mas um fogo que se transmite de coração para coração.

A acolhida dos paroquianos da Paróquia São Manuel foi marcada pela simplicidade dos gestos que revelam a grandeza do Evangelho. Um café da manhã fraterno recebeu os peregrinos antes do início da caminhada que conduziu todos ao Santuário Santa Teresinha. Ali, entre cantos, orações e encontros, cada passo parecia recordar que a fé é sempre uma peregrinação interior.

Memória viva da missão

A celebração eucarística foi presidida pelo padre Paulo Mzé, Superior Regional dos Missionários da Consolata no Brasil. Em sua reflexão, convidou os presentes a manter viva a chama do espírito de família, um dos legados mais preciosos deixados por São José Allamano.

“Como a última visita canônica nos convidou, que São Manuel seja para nós, Missionários da Consolata, um lugar de memória viva.”

Ao recordar a trajetória missionária iniciada em solo brasileiro em 1937, o Superior Regional destacou que a comemoração do centenário não era apenas uma recordação histórica, mas um compromisso renovado com o carisma missionário.

“Não estamos celebrando uma morte acontecida há cem anos. Queremos renovar aquela vida doada à Igreja. Allamano não está morto. Ele está vivo em cada um de nós, na medida em que nos lembramos de que a nossa fé é missão.”

Profetas e missionários para o mundo de hoje

Inspirando-se na primeira leitura do profeta Jeremias, padre Paulo recordou que a vocação cristã possui uma dimensão profética inseparável da missão.

“Deus nos chamou para que sejamos voz daqueles que não têm voz e vez daqueles que não têm vez. Missionário e missionária são assim. Estamos em lugares muito difíceis, com muitas necessidades, e devemos ser fiéis a esta vocação.”

Ao refletir sobre os desafios do mundo atual, mencionou também a realidade dos migrantes e das populações mais vulneráveis, apontando a missão como resposta concreta aos sinais dos tempos.

“Hoje lembramos muito dos migrantes, que são uma das novas formas de sofrimento impostas a milhares de pessoas. Esse também é um campo da missão hoje.”

O legado de São José Allamano

Ao longo da homilia, o celebrante recordou que São José Allamano, embora nunca tenha partido para as terras de missão, tornou-se um dos grandes inspiradores da evangelização ad gentes.

“São José Allamano viveu 46 anos no Santuário da Consolata, mas nunca foi ao Quênia ou a outros territórios de missão. Ainda assim, incentivou missionários a partir, sustentando-os com a oração, a proximidade e o encorajamento. Isso quer dizer que todos podemos ser missionários.”

Um dos momentos mais marcantes aconteceu quando toda a assembleia repetiu uma das expressões mais conhecidas do santo fundador: “Primeiro santos, depois missionários.”

A frase, tantas vezes repetida por Allamano, foi apresentada como síntese de um caminho espiritual que continua a orientar missionários, missionárias e leigos da Família Consolata espalhados pelo mundo.

A missão nasce da comunidade

A celebração também destacou a dimensão comunitária do carisma. Em um tempo marcado pelo individualismo, padre Paulo recordou que a missão nasce da comunhão.

“A autoridade da nossa fé não está em mim nem em você. A autoridade está na comunidade de Jesus.”

A memória das Missionárias da Consolata

Durante a celebração, foi feita também a memória da presença histórica das Missionárias da Consolata em São Manuel. A superiora continental das Missionárias da Consolata para as Américas, irmã Natalina Stringhini, recordou que a cidade também ocupa um lugar especial na história da congregação.

“Aqui também é um lugar de memória para nós. Quando as primeiras sete Missionárias da Consolata chegaram ao Brasil, este foi o primeiro lugar que elas vieram. Mais tarde permaneceram aqui por 42 anos.”

Ao final da missa, as crianças da catequese apresentaram uma encenação sobre a vida de São José Allamano, fruto de um trabalho realizado ao longo das últimas semanas. De maneira simples e criativa, recordaram a trajetória do fundador e sua confiança absoluta em Deus.

Um futuro que continua a caminhar

A romaria foi encerrada sob o olhar da Consolata, Mãe das Missões, com a certeza de que a memória de São José Allamano continua viva na missão da Igreja.

Entre orações, reencontros e testemunhos, São Manuel confirmou mais uma vez sua vocação de ser lugar de memória, gratidão e compromisso missionário para toda a Família Consolata.

Fontes: Celebração do Centenário do Nascimento para o Céu de São José Allamano (São Manuel-SP, 21 de junho de 2026); Missionários da Consolata.

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