Cáritas encerra campanha pela Venezuela com mais de 232 mil euros arrecadados
Recursos serão destinados a famílias atingidas pelos terremotos de junho, enquanto Cáritas Venezuela alerta que cerca de 200 mil pessoas ainda precisam de assistência
A campanha de solidariedade promovida pela Cáritas Portuguesa em favor da população venezuelana arrecadou 232.626,80 euros. Encerrada em 31 de julho, a iniciativa foi criada para apoiar as famílias atingidas pelos dois fortes terremotos que atingiram a Venezuela em 24 de junho e deixaram milhares de pessoas em situação de vulnerabilidade. O anúncio do resultado foi divulgado pela Agência Ecclesia em 14 de agosto.
Os recursos arrecadados serão encaminhados à Cáritas Venezuela, que deverá aplicá-los nas regiões mais afetadas pela tragédia. Segundo a organização, a assistência contempla áreas como segurança alimentar, acesso à água e saneamento, abrigo, saúde, apoio psicossocial e espiritual, meios de subsistência e capacitação das equipes locais.
A campanha, lançada no final de junho com o lema “A esperança também chega através de si”, mobilizou comunidades e pessoas que responderam ao apelo de solidariedade diante da dimensão da emergência. Para a Cáritas Portuguesa, cada contribuição representa uma forma concreta de apoiar as famílias que enfrentam as consequências da catástrofe.
Emergência continua
Apesar do encerramento da campanha portuguesa, a situação humanitária na Venezuela permanece preocupante. Em 15 de agosto, a Cáritas alertou que o duplo terremoto de 24 de junho atingiu seis estados venezuelanos e deixou aproximadamente 200 mil pessoas dependentes de ações de solidariedade e acompanhamento por pelo menos um ano.
O alerta reforça que a resposta humanitária não termina com a primeira fase de distribuição de donativos. A reconstrução das comunidades afetadas deverá exigir acompanhamento prolongado, especialmente nas áreas onde as famílias perderam moradias, fontes de renda e acesso regular a serviços essenciais.
Desde os primeiros dias da emergência, a Cáritas Venezuela vem organizando uma operação de assistência em parceria com dioceses, organizações humanitárias e outros atores locais. Em seu primeiro boletim, publicado em julho, a instituição informou ter recebido 14.700 toneladas de ajuda humanitária e atendido 8 mil famílias até 6 de julho.
Em outro balanço, divulgado ao completar um mês da tragédia, a organização informou que já havia recebido 21.175 toneladas de ajuda, das quais 18.167 toneladas haviam sido distribuídas às comunidades afetadas até 22 de julho. O relatório também registrou atendimento a 22.924 famílias no período.
Solidariedade que permanece
A resposta à emergência também ultrapassou as fronteiras de Portugal. No Brasil, a Cáritas Brasileira manifestou solidariedade ao povo venezuelano e destacou o trabalho realizado por agentes pastorais, voluntários e equipes da Cáritas Venezuela junto às comunidades atingidas. A organização brasileira reforçou que a reconstrução deverá ser acompanhada por uma rede de solidariedade capaz de sustentar as famílias durante o período de recuperação.
Na Espanha, diferentes Cáritas diocesanas também mobilizaram recursos. A Cáritas de Málaga, por exemplo, informou em julho ter arrecadado mais de 256 mil euros em sua própria campanha, destinados integralmente às ações humanitárias desenvolvidas pela Cáritas Venezuela.
A mobilização internacional evidencia o papel da rede Cáritas diante de emergências humanitárias: articular recursos, organizações locais e comunidades para que a ajuda chegue às populações mais vulneráveis.
Reconstruir depois da emergência
Os terremotos de junho deixaram uma marca profunda em diferentes comunidades venezuelanas. Mais do que responder às necessidades imediatas, o desafio agora é garantir que as famílias tenham condições de reconstruir suas vidas.
Nesse processo, a assistência material se soma ao acompanhamento psicológico, espiritual e comunitário. Para a Cáritas Venezuela, a emergência exige uma resposta prolongada e organizada, com prioridade para as pessoas em situação de maior vulnerabilidade.
O encerramento da campanha portuguesa representa, assim, o resultado concreto de uma mobilização internacional, mas não o fim da solidariedade. Os 232 mil euros arrecadados deverão contribuir para a recuperação de famílias atingidas, enquanto a realidade de aproximadamente 200 mil pessoas que ainda necessitam de assistência recorda que a reconstrução da Venezuela será um processo de longo prazo.
A experiência também revela uma dimensão essencial da missão da Igreja em situações de emergência: estar próxima de quem sofre, mobilizar comunidades e transformar a solidariedade em ações concretas de cuidado, reconstrução e esperança.
Fontes: Agência Ecclesia, Cáritas Venezuela, Cáritas Brasileira e Cáritas Málaga.