Padre Pietro Parcelli: uma vida dedicada aos povos indígenas e às periferias

18 de agosto de 2026

 

Devoto e Missionário da Consolata, padre Pietro faleceu na Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, em sua terra natal, Itália.

Por Redação

O missionário da Consolata padre Pietro Parcelli faleceu em 15 de agosto de 2026, Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, aos 88 anos, durante um período de férias com a família, em Dragonea, sua terra natal, na Itália. Foram 63 anos de vida religiosa e 60 de sacerdócio. Sua trajetória missionária foi marcada por mais de cinco décadas de dedicação ao Brasil, especialmente aos povos indígenas de Roraima e às comunidades pobres das periferias de Salvador.

Em Roraima, padre Pietro esteve ligado à criação do hospital Hekura Yano, em Boa Vista, destinado ao atendimento de povos indígenas que necessitavam de cuidados médicos ao deixar suas comunidades. O missionário também teve papel importante na recuperação da documentação médica relacionada à cura de Sorino Yanomami, reconhecida como milagre para a canonização de São José Allamano, fundador dos Missionários e das Missionárias da Consolata. O processo teve início em Boa Vista, em 2021, e culminou com a canonização de Allamano pelo Papa Francisco, em 20 de outubro de 2024.

Em Salvador, onde chegou no início dos anos 2000, padre Pietro dedicou-se especialmente às famílias de Novos Alagados, onde milhares de pessoas viviam em condições precárias, muitas delas em palafitas. Diante da realidade da fome, da pobreza, do desemprego, das drogas e da violência, buscou respostas concretas para promover dignidade e oportunidades.

Foi nesse contexto que nasceu o Quilombo do Kioiô, espaço voltado especialmente às mulheres e mães da comunidade. O projeto passou a oferecer formação profissional, reforço escolar para crianças, atividades esportivas, ações culturais, apoio alimentar e acompanhamento pastoral. Entre as iniciativas está a formação em confeitaria, que possibilitou a muitas famílias encontrar novas formas de sustento.

Segundo Adenilza Rosário Cruz, filha de coração do missionário, padre Pietro foi muito mais que um sacerdote: foi pai, amigo e companheiro. Ela recorda sua dedicação às crianças e às famílias e destaca seus ensinamentos sobre a oração, a fé e o compromisso com aqueles que sofrem. Para ele, a oração do Terço deveria abrir os olhos para a realidade dos que enfrentam a fome, a falta de moradia, as drogas e a violência.

A vida de padre Pietro foi, assim, marcada pela união entre oração, evangelização e ação social. Como destacou o vice-superior-geral dos Missionários da Consolata, padre Michelangelo Piovano, em sua homenagem, a missão não era para Pietro apenas um lugar, mas um modo de olhar e de se colocar a serviço do outro.

As exéquias foram celebradas em 16 de agosto, na igreja dos Santos Pedro e Paulo, em Dragonea, presididas pelo arcebispo de Amalfi-Cava de' Tirreni, Dom Orazio Soricelli. Na homilia, o bispo definiu a existência de padre Pietro como uma vida “em caminho”: da Itália ao Brasil, da Amazônia a Salvador, dos povos indígenas às crianças e famílias das periferias.

Sua memória permanece nas comunidades que ajudou, nos povos indígenas que acompanhou, nas famílias de Salvador e em todos aqueles que encontraram nele um missionário disposto a transformar a fé em serviço e esperança.

Com informações de Michelangelo Piovano, IMC, vice-superior-geral dos Missionários da Consolata, e Adenilza Rosário Cruz.

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