Mulheres na luta por moradia digna
Roda de conversa entre mulheres, promovida pela Pastoral Afro-Brasileira, discute tema proposto pela Campanha da Fraternidade em Nova Iguaçu, RJ.
No dia 17 de março de 2026 foi realizada uma roda de conversa entre mulheres na Paróquia Senhor do Bonfim, Engenheiro Pedreira, em Nova Iguaçu, Rio de Janeiro. O evento foi organizado pela Pastoral Afro-Brasileira e teve como tema “O protagonismo da mulher na garantia de moradia digna”, com o objetivo de fazer com que dentro do mês da mulher, as mulheres pudessem falar de suas lutas e conquistas na garantia de moradia digna, uma vez que a realidade atual do Brasil principalmente no município de Nova Iguaçu, mostra que a maioria de famílias é de mulheres solteiras que lutam para criar seus filhos. Portanto, a luta pela moradia digna que a Campanha da Fraternidade 2026 traz, é a luta de muitas mulheres.
As participantes partilharam desafios comuns, seja no campo, na área rural ou no contexto urbano. As dificuldades se apresentaram de forma muito semelhante. Tratava-se, em sua maioria, de mulheres pretas, periféricas e de baixa renda, que lutam diariamente para garantir a si e aos seus filhos um lar digno.

Um lar digno não se resume apenas ao acesso à moradia, mas envolve também o direito de decidir sobre esse espaço: desde a aquisição da casa até as escolhas que compõem o cotidiano, a organização, a estética, os móveis, os utensílios e a forma como esse lar será vivido. No entanto, ainda é evidente a ausência de autonomia dessas mulheres, inclusive dentro de suas próprias casas.
Ao se falar de moradia digna, compreende-se todo um processo que vai desde a construção até as condições de habitabilidade e uso desse espaço. Durante a roda de conversa, algumas mulheres relataram que ainda não conseguiram acessar essa moradia tão sonhada. Outras afirmaram que só alcançaram esse direito por meio de muita luta, trabalho intenso, desgaste físico e emocional. Houve também relatos de mulheres que apenas conquistaram uma moradia digna após o rompimento de relações conjugais abusivas, evidenciando que, em muitos casos, a vivência conjugal se configurava como um obstáculo para o exercício pleno desse direito.
Dessa forma, o protagonismo feminino na luta por moradia digna se revela não apenas como uma questão de acesso, mas, sobretudo, como uma luta por autonomia, dignidade e direito de decisão sobre o próprio lar e sobre a própria vida.
Gilza Rosa é vice-coordenadora da Pastoral Afro-Brasileira na Paróquia Senhor do Bonfim, Nova Iguaçu, RJ.