Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria – Rumo à glória com Maria
Na Solenidade da Assunção, Maria aponta para a esperança cristã e ensina, por meio de sua fé e confiança em Deus, a caminhar rumo à vida eterna.
A Solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria é uma das grandes celebrações da nossa fé. Neste dia, 15 de agosto, celebramos a verdade de que, ao término de sua vida terrena, Maria foi elevada ao céu de corpo e alma, na glória de Deus.
A Assunção não é apenas algo que aconteceu com Maria. É também uma mensagem de esperança para cada um de nós. Maria nos mostra onde pode nos conduzir uma vida vivida na fé, na confiança e no amor. Ela nos recorda que nossa vida terrena não é o fim. Fomos criados para a vida eterna com Deus. As três leituras de hoje nos ajudam a compreender este belíssimo mistério.
Na primeira leitura (Ap 11,19; 12,1-6.10), ouvimos o relato de um grande sinal que apareceu no céu: uma mulher vestida de sol, com a lua debaixo de seus pés e, sobre a cabeça, uma coroa de doze estrelas. Ao mesmo tempo, aparece um grande dragão que procura destruir a mulher e seu filho. Essa imagem nos fala da luta entre o bem e o mal, entre o projeto de Deus e as forças que procuram se opor a ele.
Conhecemos essa luta não apenas por meio da Sagrada Escritura, mas também através de nossa própria vida. Queremos fazer o bem, mas encontramos tentações, fraquezas, sofrimentos e medos. Às vezes podemos nos perguntar: “Por que isso está acontecendo comigo?” ou: “As coisas vão melhorar algum dia?” Podemos enfrentar dificuldades em nossa família, no trabalho, nos relacionamentos e até mesmo em nossa fé.
E, no entanto, a primeira leitura nos oferece uma mensagem muito importante: o mal não tem a última palavra. A última palavra pertence a Deus.
Vemos isso claramente na vida de Maria. Sua vida não foi livre do sofrimento. Desde o início, ela teve de enfrentar a incerteza. Precisou confiar em Deus sem saber exatamente o que aconteceria. Conheceu a dor de ver seu Filho rejeitado e, finalmente, crucificado. Mas a Cruz não foi o fim da história de Jesus, e o sofrimento não foi o fim da história de Maria. Deus os conduziu à vitória.
O Papa Bento XVI, refletindo sobre a Assunção, afirmou que esta festa é um dia de alegria porque Deus venceu e o amor venceu. A força de Deus não é a força da violência ou do poder, mas a força do amor. E Maria é um sinal de que, quando nos confiamos ao amor de Deus, o mal e o sofrimento não têm a última palavra.
Isso nos conduz naturalmente à segunda leitura (1Cor 15,20-26), na qual São Paulo fala da ressurreição de Jesus e afirma que Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. Essa é a verdade central da nossa fé cristã. Jesus Cristo venceu o pecado e a morte. Porque Cristo ressuscitou, a morte não é o fim da nossa história.
Isso é fundamental para compreendermos a Assunção de Maria. A Assunção de Maria não é algo separado da ressurreição de Jesus. É uma participação especial na vitória de seu Filho. Maria, que durante toda a sua vida terrena esteve profundamente unida a Jesus, agora participa de modo especial de sua glória.
Em Maria vemos a realização do Mistério Pascal de Cristo e, ao mesmo tempo, um olhar sobre o nosso destino. Aquilo que Deus realizou em Maria nos mostra o que deseja realizar também em nós. Por isso, quando hoje olhamos para Maria, somos convidados também a olhar para nossa própria vida e a nos perguntar: Qual é a meta da minha vida?
Podemos ficar muito concentrados nas coisas deste mundo. Trabalhamos, estudamos, ganhamos dinheiro, construímos uma carreira, criamos nossos filhos, fazemos projetos e procuramos construir uma boa vida. Todas essas coisas são importantes. Mas não são nosso destino final. Nosso destino final é Deus.
Fomos criados para a vida eterna. A Assunção nos recorda que nossa esperança cristã é muito maior do que o simples desejo de ter uma vida confortável e feliz na terra. Nossa esperança é que, por meio de Cristo, possamos participar da vida da ressurreição.
E essa esperança já está presente na maneira como Maria viveu sua vida terrena. Isso nos conduz ao Evangelho de hoje (Lc 1,39-56).
Maria acaba de receber do anjo o anúncio de que se tornaria a Mãe de Jesus. Ela deu seu “sim” a Deus, mesmo sem compreender tudo o que aconteceria. E, logo depois, o Evangelho nos diz que Maria “se levantou e foi às pressas” visitar sua prima Isabel.
É um detalhe muito bonito!
Maria tem suas preocupações. Sua vida mudou de repente. Ela não sabe tudo o que a espera. E, no entanto, não permanece concentrada apenas em si mesma. Pensa em Isabel, que precisa dela, e vai ao seu encontro.
Maria leva Jesus dentro de si e leva a presença de Jesus a outra pessoa. Maria não guarda para si o dom que recebeu. Ela leva Cristo a Isabel e, por meio de sua presença, a alegria entra naquela casa. Isso nos coloca hoje uma pergunta muito concreta: O que levo às pessoas que encontro?
Quando as pessoas me encontram, experimentam paz ou tensão? Levo encorajamento ou desânimo? Minhas palavras e minhas ações ajudam os outros a experimentar algo de Cristo? Maria nos ensina que, quando realmente levamos Cristo em nosso coração, não podemos guardá-lo somente para nós. Somos chamados a levar seu amor aos outros.
Às vezes, isso pode ser muito simples. Podemos perdoar alguém. Podemos ouvir uma pessoa que sofre. Podemos visitar alguém que está sozinho. Podemos encorajar quem perdeu a esperança. Podemos ajudar uma pessoa que passa por dificuldades. Podemos escolher uma palavra boa em vez de uma palavra que machuca. Podem parecer coisas pequenas, mas podem se tornar maneiras concretas de levar Cristo aos outros.
E então, no Evangelho, Maria pronuncia sua belíssima oração, o Magnificat: “Minha alma engrandece o Senhor.” Maria não louva a si mesma. Ela louva a Deus. Sabe que tudo o que recebeu é um dom de Deus. Ela não coloca a si mesma no centro. Coloca Deus no centro!
Também esse é um ensinamento importante para nós. Vivemos em um mundo em que é muito fácil nos compararmos com os outros. Comparamos nossa aparência, nossa formação, nosso trabalho, nossa família, aquilo que possuímos e nossos sucessos. Às vezes podemos até comparar nossa fé com a dos outros. Mas Maria nos mostra outro caminho. Em vez de perguntarmos continuamente: “Sou melhor que os outros?”, podemos perguntar: “Como Deus me abençoou?” Em vez de nos compararmos continuamente com os outros, podemos aprender a dar graças.
Maria é uma mulher que confiou completamente em Deus e permitiu que a Palavra de Deus se tornasse o centro de sua vida. Sua grandeza não consistia em colocar-se acima dos outros, mas em permitir que Deus agisse por meio dela.
E é justamente aqui que as três leituras de hoje se encontram: a primeira leitura nos recorda que Deus tem a vitória final sobre o mal. A segunda leitura nos recorda que Cristo venceu a morte e abriu para nós o caminho da ressurreição. O Evangelho segundo Lucas nos mostra como Maria respondeu ao amor de Deus: confiou, disse “sim”, serviu e louvou a Deus. E a Assunção nos mostra para onde conduz uma vida vivida na fé: à glória do céu.
Maria, portanto, não é apenas alguém que admiramos. É uma pessoa que podemos seguir. Ela nos ensina a confiar em Deus quando não compreendemos tudo. Ensina-nos a permanecer fiéis quando a vida se torna difícil. Ensina-nos a levar Cristo aos outros. E, sobretudo, ensina-nos a esperar.
Queridos irmãos e irmãs, seja o que for que estejamos carregando em nosso coração hoje, não percamos a esperança. Se estamos vivendo uma dificuldade, confiemos em Deus. Se estamos sofrendo, permaneçamos próximos de Cristo. Se recebemos bênçãos, demos graças. E se alguém ao nosso lado está sofrendo, levemos Cristo a essa pessoa por meio do nosso amor.
Quando tivermos medo do futuro, olhemos para Maria. Ela nos recorda que o amor é mais forte que a morte, a fé é mais forte que o medo e a promessa de Deus é mais forte que qualquer dificuldade. Hoje, na Solenidade da Assunção, confiemo-nos a Maria. Que ela nos ajude a viver com fidelidade, a amar com generosidade e a manter sempre os olhos voltados para Cristo. E nunca nos esqueçamos de que nossa verdadeira pátria não está aqui. Estamos a caminho de Deus.
Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, rogai por nós. Ajudai-nos a confiar em Deus, a permanecer fiéis a Cristo e a acompanhar uns aos outros rumo à glória do céu. Amém.
*Padre Geoffrey Boriga, IMC, licenciado em Sagrada Escritura pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma.