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Missão em Contexto 2

Igreja de portas abertas no Uzbequistão

As pequenas igrejas católicas da Ásia Central vivenciam intensamente os meses de verão, (julho, agosto e setembro) época de férias e bom tempo, que atrai turistas do mundo todo. Eles visitam esses lugares maravilhosos e encontram portas e corações abertos para recebê-los. Compartilhamos nossas experiências em Zhanashar (Cazaquistão) e Urgench (Uzbequistão).

Por Hellen Njoki e Andrea Carvalho

Nossa comunidade em Zhanashar está localizada em uma pequena vila, onde a vida é simples e familiar. No início, nossos vizinhos paravam em nossa casa, curiosos para ver o que fazíamos. Para eles, ouvir que éramos “freiras consagradas a Deus” era - e ainda é - um conceito difícil de assimilar, uma palavra fora de seu vocabulário cotidiano.

Com o tempo, porém, ao frequentarem nossa casa, tanto crianças quanto adultos passaram a entender que simplesmente temos um estilo de vida diferente. Hoje, quando nos encontramos no transporte público ou no mercado, eles ficam felizes em nos ver e imediatamente nos apresentam aos outros, dizendo com orgulho: “Elas são nossas vizinhas!” Na cultura cazaque, o vínculo com aqueles que moram ao lado é sagrado, como diz um antigo provérbio local: “Um bom vizinho é mais precioso do que um parente distante.” (Provérbio cazaque)

Nossa Betânia: um rio de acolhimento para todos

Hoje, nossa comunidade se tornou um lar para todos. Durante esta época de festas, as crianças nos acordam cedo pela manhã, ansiosas para brincar em nosso pátio. Jovens - católicos, muçulmanos e de outras religiões - vêm até nós porque precisam conversar, aprender ou simplesmente encontrar alguém que os ouça e lhes dê atenção. Muitos grupos de jovens preferem realizar seus encontros aqui mesmo em Zhanashar.

Nossa pequenez e simplicidade se tornaram um refúgio acolhedor para paróquias e turistas: já hospedamos pequenos grupos da Coreia, Astana, Mongólia e Polônia, além de muitos peregrinos individuais em busca de abrigo. Ao continuarmos a oferecer nossos pequenos serviços diários — como aulas de inglês, catecismo e estudo de línguas locais — percebemos que a hospitalidade se tornou a essência do nosso apostolado.

Uzbequistão : uma Igreja de portas abertas

Embora a Igreja Católica no Uzbequistão seja uma pequena minoria em um país de maioria muçulmana, ela procura viver sua missão inspirada nas palavras de Cristo: “Eu era estrangeiro e me acolhestes” (Mt 25,35). Essa acolhida torna-se especialmente visível durante o ano, quando peregrinos, turistas, profissionais estrangeiros e estudantes chegam ao país por diferentes motivos.

As paróquias católicas procuram ser um ponto de referência para quem deseja participar da Santa Missa, encontrar um sacerdote para a Confissão ou simplesmente viver um momento de oração em meio à viagem.

Em cidades como Tashkent, Samarcanda, Bukhara e aqui na nossa pequena Paróquia de Nossa Senhora da Misericórdia em Urgench, os visitantes de diversas nacionalidades e até mesmo cristãos de outras denominações possam encontrar uma comunidade pronta para recebê-los com simplicidade e fraternidade.

Nesse contexto, nós Irmãs Missionárias da Consolata procuramos oferecer uma presença discreta, mas profundamente acolhedora a essas pessoas, de maneira que encontrem um ambiente propício para o encontro com o Senhor. Por isso, além da participação na vida paroquial, colaboramos no acolhimento destes visitantes, oferecemos informações sobre os horários das celebrações e procuramos criar um ambiente onde cada pessoa possa sentir-se em casa, mesmo estando longe de sua terra.

A hospitalidade, um ponto de encontro

A hospitalidade, tão característica do povo uzbeque, encontra na missão da Igreja um belo ponto de encontro. O respeito, a escuta e a cordialidade, valores profundamente enraizados na cultura local, tornam-se também instrumentos de evangelização silenciosa. Muitas vezes, antes mesmo das palavras, é um sorriso, um café compartilhado ou uma conversa tranquila que revelam o rosto acolhedor de Cristo.

Em uma terra onde os católicos são poucos, cada gesto de acolhida torna-se um testemunho precioso. A Igreja no Uzbequistão recorda que a missão não começa apenas com o anúncio explícito do Evangelho, mas também com a capacidade de fazer com que cada pessoa, ainda que por poucos dias, experimente a alegria de ser recebida como um irmão, uma irmã.

Você vem?

Enfim, nossa missão é revelar o amor de Deus que acolhe cada pessoa, independente da cultura, da etnia ou religião e isso é muito visível aqui onde os rostos de diferentes pessoas criam um belíssimo mosaico com as fotos que fazemos depois de cada encontro. Seja você também um ponto de acolhida onde estiver, pois não sabemos o dia que o Senhor virá nos visitar!

Na África, diz-se que “Um hóspede é como um rio: traz vida e renovação por onde passa”, e a tradição cazaque ecoa essa verdade com um profundo ditado: “Um hóspede traz bênçãos para a casa” (Provérbio cazaque).

Agradecemos a Deus por este imenso dom, pois, ao acolhermos os outros, acolhemos a Ele próprio, fiéis à exortação da Carta aos Hebreus: “Não se esqueçam da hospitalidade; alguns, praticando-a, sem o saberem, hospedaram anjos” (Hebreus 13:2).

Se um dia desejarem vir ao Cazaquistão ou ao Uzbequistão, saibam que nossas portas estarão sempre abertas para recebê-los. Nossas casas são pequenas, é verdade, mas cheias de amor, e teremos prazer em compartilhar tudo o que temos com vocês.

Esperamos vê-los em Zhanashar e Urgench, onde a diversidade se transforma em comunhão e cada encontro se torna uma carícia de Deus.

Irmã Hellen Njoki e Irmã Andrea Carvalho, mc

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