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Intenção Missionária

A Missão começa com o olhar…

Rezemos pelo respeito e pela proteção da vida humana em todas as suas etapas, reconhecendo-a como um dom de Deus.

Por Isaac Oboya

Vivemos em uma época em que vemos muitas coisas, mas nem sempre conseguimos realmente enxergar. Todos os dias somos bombardeados por imagens, notícias e informações de diferentes partes do mundo. Vemos situações de sofrimento, desigualdade e abandono, mas muitas vezes passamos rapidamente por elas sem permitir que toquem o nosso coração.

O olhar é uma das primeiras formas de encontro. Antes de qualquer palavra ou gesto, existe a maneira como enxergamos o outro. Podemos olhar alguém apenas como mais uma pessoa no meio da multidão ou podemos reconhecer ali um irmão, alguém com uma história, uma dignidade e uma presença que merece ser acolhida.

A missão nasce justamente desse olhar diferente. Jesus, ao longo do Evangelho, nos mostra que sua relação com as pessoas começava pela compaixão. Ele não passava indiferente diante do sofrimento. Via os doentes, os pobres, os excluídos e aqueles que eram esquecidos pela sociedade. Seu olhar não era de julgamento, mas de misericórdia e proximidade.

A Intenção Missionária nos convida a desenvolver esse mesmo olhar. Mais do que conhecer uma realidade distante, somos chamados a deixar que ela nos transforme. Quando a Igreja nos apresenta uma realidade missionária para ser lembrada e acompanhada, ela nos ajuda a sair do nosso pequeno mundo e perceber que existem irmãos e irmãs que também fazem parte da nossa história.

Um missionário não é apenas aquele que atravessa fronteiras geográficas. Antes disso, ele é alguém capaz de atravessar as fronteiras da indiferença. Muitas vezes, a maior distância não está entre países ou culturas, mas entre pessoas que vivem lado a lado e não conseguem mais se perceber.

São José Allamano, fundador dos Missionários da Consolata, compreendeu profundamente essa dimensão da missão. Para ele, o missionário deveria aproximar-se das pessoas com respeito, bondade e espírito de família. A missão não consistia apenas em levar uma mensagem, mas em caminhar com as pessoas, conhecer suas alegrias e sofrimentos e tornar presente a consolação de Cristo.

Essa atitude continua muito atual. Hoje existem muitas pessoas que precisam ser vistas: idosos que vivem na solidão, migrantes que procuram um novo lugar para recomeçar a vida, famílias que enfrentam dificuldades, jovens que buscam sentido e tantas outras realidades que nem sempre recebem atenção.

Muitas vezes pensamos que para ser missionário precisamos realizar grandes coisas. Mas a missão começa em pequenos gestos: escutar alguém com atenção, visitar uma pessoa que sofre, acolher quem chega de longe, oferecer uma palavra de esperança ou simplesmente reconhecer a dignidade daquele que está diante de nós.

O olhar missionário muda a maneira como vemos o mundo. Ele nos ajuda a perceber que nenhuma pessoa é invisível para Deus. Onde muitos enxergam apenas problemas, o missionário procura encontrar histórias. Onde muitos veem distância, ele busca construir proximidade. Onde muitos passam indiferentes, ele procura ser presença de amor.

Como família da Consolata, somos chamados a cultivar esse olhar que São José Allamano desejava para seus missionários: um olhar atento, compassivo e capaz de reconhecer Deus presente na vida das pessoas. A missão começa quando deixamos de olhar apenas para nós mesmos e aprendemos a enxergar o outro com o coração de Cristo.

Isaac Oboya é seminarista da Consolata em São Paulo, SP.

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