Os Santos Sociais e o Santuário da Consolata
Vários santos e bem-aventurados passaram pelo Santuário da Consolata e conheceram São José Allamano, que viveu aos pés de Nossa Senhora por 46 anos.
No Santuário, aos pés do ícone da Consolata, em Turim, Itália, muitos paravam para rezar: pessoas comuns, ricas e pobres, jovens e idosas; papas e membros da nobreza. Entre todos eles, porém, destacavam-se os “santos sociais” do século XIX, que dedicaram suas vidas a servir os pobres, os marginalizados e todos os necessitados.
Bem-aventurado Francisco Faà de Bruno (1825-1888)

Nascido em uma família nobre, antes de ser ordenado padre, foi professor na Universidade de Turim, arquiteto e matemático, astrônomo, conselheiro da Casa Real de Saboia. Francisco Faà de Bruno é considerado um dos “santos sociais” por suas iniciativas em favor, especialmente, das mulheres.
Organizou uma rede de “fogões econômicos” para distribuir refeições quentes a baixo custo aos trabalhadores; uma “Biblioteca circulante”, com serviço de empréstimo de livros estendido por toda a Itália; os “lavatórios públicos” para ajudar os cidadãos a manter as pessoas e as casas em ordem e limpas. Seu lema foi: “Quem faz o seu melhor, sempre faz o bem”.
São Leonardo Murialdo (1828-1900)

Em 1873, fundou a Congregação de São José (Giuseppini de Murialdo), com o objetivo de educar os jovens, especialmente os pobres e abandonados. Colaborou em diversas iniciativas sociais em defesa dos jovens e dos trabalhadores. Lançou várias iniciativas inovadoras: uma casa familiar (a primeira na Itália), uma colônia agrícola, oratórios, entre outras. Murialdo também foi um grande incentivador da imprensa católica.
Seus lemas eram: “Façamos e calemos” e “Quem se humilha será exaltado.”
Bem-aventurada Maria Enrichetta Dominici (1829-1894)

Caterina Dominici ingressou na Congregação de Santa Ana e Providência, fundada pelos Marqueses Tancredi e Giulia di Barolo.
Foi ela quem abriu os horizontes da Congregação para a missão: as primeiras seis Irmãs partiram para a Índia em 1871, realizando um sonho que ela acalentava desde jovem. Em outubro de 1879, visitou a primeira casa do Instituto na Índia, em Secunderabad.
A certeza que Madre Enrichetta Dominici cultivou ao longo de sua vida e transmitiu a todos que a procuravam foi: “Deus é um bom Pai; Ele sabe tudo, Ele pode tudo e Ele nos ama.”
São José Marello (1846-1895)

Ele fundou os “Oblatos de São José”. Foi um exemplo e modelo de caridade para com todos: jovens, idosos, pobres, marginalizados…
A partir de seus encontros com Dom Bosco, suas palavras amorosas, seus preciosos conselhos e suas longas sessões de oração no Santuário da Consolata, Dom Marello encontrou forças para continuar seu incansável trabalho em prol dos menos afortunados.
“Seja extraordinário nas coisas comuns.”
São Luís Orione

Fundador de congregações, São Luís Orione encontrou-se com Allamano diversas vezes no Santuário da Consolata.
Uma ocasião importante que fortaleceu a relação entre os dois homens de Deus, escreve o Padre Pavese IMC, foi o terremoto que devastou Messina na manhã de 28 de dezembro de 1908. Já com uma comunidade na Sicília, Dom Orione viajou para Messina e generosamente prestou auxílio material e espiritual às vítimas do terremoto. Uma de suas iniciativas foi construir uma pequena igreja de chapa ondulada dedicada à Consolata em frente ao cemitério, em memória das 80.000 vítimas do terremoto. Para esta igreja, ele obteve a pintura da Consolata de Allamano.
“Documentos comprovam que o renascimento do ideal missionário de nosso fundador, Dom Orione, remonta ao período em que ele manteve contato frequente com o Cônego Allamano.” Não há dúvida de que São Luís Orione admirava o espírito missionário de Allamano e que dele recebeu um impulso para si e para a sua Congregação.
Bem-aventurado Tiago Alberione (1884-1971)

Partindo de Alba, o Padre Alberione viajou até o Santuário da Consolata em Turim para encontrar o Cônego Allamano, um dos poucos sacerdotes que o apoiaram e o aconselharam sobre como cumprir a missão que sentia profundamente em seu coração: evangelizar proclamando que Jesus Cristo é o Caminho, a Verdade e a Vida, utilizando os meios rápidos e eficazes oferecidos pela mídia.
Allamano sugeriu e o encorajou a fundar uma congregação, e Alberione, seguindo seu conselho, fundou a Família Paulina, composta por cinco congregações religiosas, quatro institutos de pessoas consagradas seculares e uma associação de leigos, que ainda hoje atuam na mídia.
São Pier Giorgio Frassati (1901-1925)

Ele nasceu em uma família rica de classe média: seu pai, Alfredo Frassati, era um jornalista renomado, e sua mãe, Adelaide Ametis, uma pintora talentosa.
Pela manhã, assistia à primeira missa celebrada no Santuário da Consolata e, em seguida, subia aos sótãos para visitar, ajudar e consolar os pobres.
É quase certo que Pier Giorgio Frassati e Giuseppe Allamano se conheciam. O Cônego Nicola Baravalle testemunhou: “Ao saber da morte de Pier Giorgio, o então idoso Reitor chorou.”
Durante o ensino médio, frequentou as Obras de São Vicente e dedicou seu tempo livre a auxiliar os marginalizados da sociedade. Também foi membro da Ação Católica.
Sua regra de vida era: “Envolva-se.”
Maria Luisa Casiraghi, MC, é Missionária da Consolata na Itália.