Cem anos de proximidade, missão e consolação
Missionárias da Consolata celebram centenário de Allamano no céu, na divisa do Brasil com a Colômbia.
De 6 a 8 de fevereiro, vivemos experiências únicas e inesquecíveis, que nos trouxeram grande alegria ao celebrar o centenário da páscoa de São José Allamano em Florencia-Caquetá, porta de entrada da Amazônia colombiana. Eu e as irmãs missionárias da Consolata, Rubiela Orozco, Lucia Alfred Mgaya, Rebecca Kemunto Nyakundi e Doris Valencia celebramos a presença e o trabalho realizado por todas as irmãs missionárias ao longo de 75 anos neste território. Foram vários os momentos de celebração em que interagimos com as pessoas, nas celebrações eucarísticas, na exposição-missão e na visita aos municípios onde fizemos história.
Na sexta-feira, 6 de fevereiro, antes da celebração litúrgica, quisemos, por meio do símbolo da fogueira, destacar o lema “Fogo missionário. Consolação da Amazônia”, pois desse fogo nasceu uma tocha: foram os missionários e missionárias da Consolata que se caracterizaram por uma evangelização integral, encarnada nos territórios, fugindo da violência e buscando novas possibilidades na realidade local. Não pouparam esforços para acompanhar aqueles que chegavam e para uma vida digna, sem perder de vista as necessidades dos povos indígenas. Dando testemunho profético com compromisso social, criatividade e trabalho, acompanharam a fundação de vilarejos, escolas e centros de saúde, enriquecendo cada vez mais a amplitude do nosso carisma, contribuindo para uma melhoria na realidade familiar, pastoral, social e ambiental.
Celebramos as palavras de Dom Joaquín Pinzón, bispo da Consolata em Puerto Leguizamo, na homilia da noite de sexta-feira, fazendo uma grata lembrança de nossa família missionária, que há mais de 75 anos faz das terras amazônicas seu tesouro, deixando-nos não apenas sua generosa dedicação, sua vida e seu testemunho, mas também sua história, carisma, espiritualidade, enraizamento missionário, desenvolvimento humano e cristão, visão e ousadia, santidade e fogo no coração. Foram muitas as irmãs e missionários que lançaram as bases, aqueles que seguiram seus passos e aqueles que continuam tecendo a vida nas fronteiras, no diálogo e na interculturalidade, implorando a valiosa proteção daqueles que gozam no céu, para que continuem nos acompanhando, para que não nos falte a coragem e a profecia.
“A santidade acende o fogo no coração, e o fogo no coração gera aquela explosão de santidade que se manifesta na vida e na missão. A santidade almejada por São José Allamano tornou-se realidade nos rios, nas selvas e nas trilhas percorridas pelos intrépidos missionários, graças à sua capacidade de descobrir na Amazônia um verdadeiro espaço teológico. Assim viveram a santidade nossos missionários: místicos e contemplativos na ação, uma santidade concreta percebida pelo nosso povo‶, refletiu o bispo. Dom Joaquim deixou uma pergunta motivadora para nossa caminhada missionária: Nossa vida e nossa missão hoje contagia santidade?

Expo Misión
Participamos também da Expo Misión, uma exposição que apresentou ao público uma rica variedade de conteúdos missionários durante os três dias de celebração. Houve momentos de espiritualidade, explicação dos símbolos, testemunhos, atividades interativas, venda de material e no final de cada dia, momentos de lazer.
No âmbito do primeiro centenário da Páscoa de São José Allamano, a exposição teve um caráter pedagógico integral, destacando a memória histórica da Família Consolata.
No conjunto, havia estandes e recursos iconográficos, imagens, bibliografias formativas e material promocional e devocional, tudo isso para informar, sensibilizar, despertar a memória, suscitar compromisso, identidade comunitária e animar missionariamente, por meio de uma experiência visual, simbólica e reflexiva. Vários foram os estandes representativos, como o de São Vicente do Caguán, o seminário São José, Puerto Leguizamo, a Universidade de Florença e a família Consolata, padres, irmãs e leigos.
No sábado, realizou-se a grande celebração na catedral, na presença de Dom Omar, bispo de Florença, juntamente com outros quatro bispos e mais de 50 padres diocesanos e da Consolata, seminaristas, religiosas e comunidades de diferentes localidades, todos reunidos em torno do altar para celebrar este grande dom, com danças, cantos e uma liturgia bem preparada; tudo se uniu em uma imensa ação de graças. Em cada procissão e celebração, levavam-se as relíquias de São José Allamano. Após a grande celebração, houve um almoço acompanhado de momentos comemorativos; assim como no domingo, em cada celebração se fortalecia a gratidão a Deus e à família Consolata e diferentes grupos de sacerdotes se distribuíram para celebrar nos diversos municípios de Florença, especialmente onde a Consolata deixou suas marcas missionárias.
“Cem anos com (Allamano): proximidade, missão e consolação”. Este lema expressa o coração do carisma vivido por São José Allamano e por cada um de seus filhos e filhas espalhados por todo o mundo, homens e mulheres corajosos, cheios de zelo apostólico, que fizeram do Evangelho uma presença concreta na vida cotidiana; ouvindo, acompanhando, promovendo e sustentando o caminho de fé das comunidades.
Ines Arciniegas Tasco é Missionária da Consolata em Porto Leguizamo