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Editorial

Ação missionária pelo mundo

A missão da Igreja, ontem e hoje, continua sendo um convite constante à encarnação do Evangelho nas realidades concretas da humanidade. Nesta edição da revista Missões, somos conduzidos a refletir sobre desafios urgentes e esperanças que brotam da ação missionária em diferentes partes do mundo, sempre iluminados pela fé em Cristo Ressuscitado.

O tema do uso do solo no Brasil, apresentado pelo professor Juacy da Silva, revela uma preocupação que vai além da técnica e da economia: trata-se de uma questão profundamente ética. A forma como cuidamos — ou negligenciamos — a terra reflete nossa compreensão da criação como dom de Deus. Em sintonia com a Campanha da Fraternidade 2026, que enfatiza o direito à moradia e a dignidade humana, somos chamados a reconhecer que a terra é casa comum e que seu uso injusto aprofunda desigualdades sociais e ambientais.

Essa mesma sensibilidade se faz presente no trabalho missionário junto ao povo Warao, na fronteira com a Venezuela, relatado pelo padre Juan Carlos Greco, imc. Ali, os missionários da Consolata testemunham uma Igreja que acolhe, acompanha e promove a dignidade dos migrantes e refugiados, tornando visível o rosto misericordioso de Cristo nas periferias geográficas e existenciais.

A celebração do centenário da morte de São José Allamano, vivida também em Caquetá, na Colômbia, pelas Missionárias da Consolata, reforça a atualidade de seu carisma. Cem anos após sua Páscoa, sua herança missionária continua fecunda, inspirando homens e mulheres a viverem a santidade no cotidiano e a levarem o Evangelho aos mais necessitados. “Primeiro santos, depois missionários” permanece como um chamado exigente e atual.

No coração da fé cristã está a experiência do encontro com o Ressuscitado. A atitude de Tomé, que passa da dúvida à profissão de fé, interpela também cada um de nós: somos convidados a reconhecer Cristo vivo nas feridas do mundo e a proclamar, com convicção, “Meu Senhor e meu Deus!”. Essa experiência fundamenta toda ação missionária autêntica.

A reflexão sobre ética e moral na educação, proposta por Olímpia Vargas, aponta para a urgência de formar consciências capazes de discernimento, responsabilidade e compromisso com o bem comum. Em um mundo marcado por relativismos e crises de valores, a educação cristã se apresenta como espaço privilegiado de formação integral.

O olhar se amplia para a Igreja na Nigéria, sinal de vitalidade e, ao mesmo tempo, de resistência diante de desafios sociais e religiosos. Ali, a fé se manifesta como força que sustenta comunidades mesmo em contextos adversos, recordando que a Igreja é universal e solidária.

Os Dogmas Marianos, aprofundados pelo padre Mauro Negro, nos reconduzem ao centro do mistério da salvação. Maria, Mãe de Deus e modelo de discípula, continua a apontar o caminho da escuta, da fidelidade e da entrega total à vontade divina.

A reflexão sobre as novas paróquias à luz da Conferência de Aparecida, apresentada por René Barbosa, reforça a necessidade de uma Igreja em saída, missionária, próxima das pessoas e organizada em pequenas comunidades vivas. Trata-se de superar estruturas rígidas para favorecer uma pastoral mais dinâmica e encarnada.

Ao mesmo tempo, revisitamos o direito canônico no magistério de São Paulo VI, em texto escrito por Edson Sampel, recordando que a lei na Igreja deve sempre estar a serviço da comunhão e da missão, nunca como fim em si mesma.

As Missionárias da Consolata trabalham em Djibuti, país do continente africano e duas delas relatam em entrevista as dificuldades e desafios enfrentados na Missão.   

Por fim, não podemos ignorar a crescente falta de compromisso ecológico com o planeta Terra. Marcus Eduardo de Oliveira afirma em seu artigo que a crise ambiental é também uma crise moral e espiritual. Como nos recorda a tradição da Igreja, cuidar da criação é parte integrante da fé cristã.

Este conjunto de reflexões nos convida a uma síntese: fé e vida não podem ser separadas. A missão nasce do encontro com Cristo e se concretiza no cuidado com a dignidade humana, na promoção da justiça, na defesa da criação e no anúncio do Evangelho.

Que, à luz do testemunho de São José Allamano e inspirados pela fé de Tomé, sejamos uma Igreja cada vez mais missionária, comprometida e fiel ao Senhor da vida. Boa leitura nesta edição rica de conteúdo!

Capa da Edição

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