Missionário da Consolata, bispo em Moçambique, foi assassinado em sua residência
Dom Osório Citora Afonso, bispo da diocese de Quelimane, em Moçambique, era Missionário da Consolata e secretário-geral da Conferência Episcopal daquele país.
A Igreja em Moçambique e toda a Família Consolata foram profundamente abaladas pela trágica morte de Dom Osório Citora Afonso, IMC, bispo da Diocese de Quelimane, assassinado na madrugada de 6 de junho de 2026, na sua residência episcopal. Aos 54 anos, o prelado era considerado uma das vozes mais promissoras da Igreja moçambicana e um incansável promotor da paz, do diálogo e da evangelização.
Segundo informações divulgadas pelas autoridades moçambicanas, alguns indivíduos invadiram a residência episcopal de Quelimane durante a madrugada e dispararam vários tiros contra o bispo. Dom Osório foi atingido na região do peito e do coração, não resistindo aos ferimentos. O seu corpo foi encontrado sem vida num corredor da casa episcopal.
A notícia provocou consternação em toda a Igreja Católica. O Papa Leão XIV manifestou profunda tristeza pelo ocorrido, pedindo orações pela Igreja em Moçambique e expressando o desejo de que a verdade sobre este crime seja plenamente esclarecida. Também os Missionários da Consolata, congregação à qual Dom Osório pertencia, pediram uma investigação transparente e justiça para o caso.
As investigações conduzidas pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) levaram à detenção de três suspeitos, entre eles o Padre Adelino Novais Amado, sacerdote da Diocese de Quelimane. As autoridades moçambicanas prosseguem com as diligências para esclarecer a autoria material e eventual motivação do crime, enquanto os suspeitos aguardam os desdobramentos judiciais do caso.
Exéquias marcadas pela comoção e pela esperança cristã
As exéquias de Dom Osório foram organizadas pela Conferência Episcopal de Moçambique em comunhão com os Missionários da Consolata e os seus familiares. A Missa de corpo presente foi celebrada na Catedral de Nossa Senhora do Livramento, em Quelimane, presidida pelo núncio apostólico em Moçambique, Dom Luís Miguel Muñoz Cárdaba.
Após a celebração, o corpo foi trasladado para Nampula, sua terra de origem, onde ocorreu o funeral familiar. No dia seguinte, uma nova Missa exequial foi celebrada na Catedral de Nampula, presidida por Dom Inácio Saúre, arcebispo de Nampula e presidente da Conferência Episcopal de Moçambique. Em seguida, o corpo foi sepultado no Cemitério do Clero da Arquidiocese de Nampula, junto ao Seminário Propedêutico Mater Apostolorum.
Na mensagem enviada para a celebração fúnebre, o Papa recordou Dom Osório como um “generoso pastor” e pediu que este momento de dor seja vivido à luz da esperança da Ressurreição.
Um Missionário da Consolata a serviço da Igreja
Dom Osório Citora Afonso nasceu em 6 de maio de 1972, em Ribáuè, província de Nampula, no norte de Moçambique. Após frequentar o Seminário Preparatório Cristo-Rei, em Matola, estudou Filosofia no Seminário Maior Santo Agostinho e Teologia no Instituto Saint-Eugène de Mazenod, em Kinshasa, República Democrática do Congo.
Ingressou no Instituto Missionário da Consolata, fazendo a profissão religiosa perpétua em 2001. Foi ordenado sacerdote em 3 de novembro de 2002, iniciando um ministério marcado pela dedicação missionária, pela sólida formação bíblica e pelo serviço à Igreja universal.
Ao longo dos anos, desempenhou diversas funções no Instituto Missionário da Consolata e na Igreja. Trabalhou como vigário paroquial em Kinshasa, formador de seminaristas, superior religioso, conselheiro regional e colaborador da Nunciatura Apostólica na República Democrática do Congo.
Sua reconhecida competência acadêmica levou-o a Roma, onde obteve a Licenciatura em Sagrada Escritura pelo Pontifício Instituto Bíblico. Também realizou estudos na Universidade Hebraica de Jerusalém e na École Biblique et Archéologique Française. Entre 2017 e 2023, serviu no Dicastério para a Evangelização, no Vaticano.
O ministério episcopal
Em 21 de setembro de 2023, foi nomeado bispo auxiliar da Arquidiocese de Maputo, recebendo a ordenação episcopal em janeiro de 2024. Pouco tempo depois, em 25 de julho de 2025, foi escolhido para conduzir a Diocese de Quelimane.
Em abril de 2026, recebeu também a missão de Administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira, acumulando ainda a função de secretário-geral da Conferência Episcopal de Moçambique. Essas nomeações demonstravam a confiança depositada pela Igreja em suas qualidades humanas, espirituais e pastorais.
Conhecido pela simplicidade, proximidade com o povo e compromisso com a paz, Dom Osório destacava-se pela promoção do diálogo entre cristãos e muçulmanos. Em sua última visita pastoral, realizada poucas horas antes de sua morte, fez um emocionado apelo à convivência fraterna entre as religiões e à construção da paz em Moçambique. “Que a religião não nos divida, meus irmãos”, afirmou diante da comunidade.
Testemunho que permanece
A morte violenta de Dom Osório Citora Afonso representa uma perda dolorosa para a Igreja em Moçambique, para os Missionários da Consolata e para todos os que encontraram nele um pastor dedicado ao Evangelho, à reconciliação e ao serviço dos mais necessitados.
Seu testemunho de missionário, sacerdote, formador, biblista e bispo permanece como legado de fé e compromisso com a missão.