Crianças com doenças incuráveis
Rezemos para que as crianças que sofrem de doenças incuráveis e suas famílias recebam os cuidados médicos e o apoio necessários, sem nunca perderem a força e a esperança.
Diante da fragilidade de uma vida que mal começou e já se depara com limites tão severos, somos convidados a contemplar o mistério da dor e a questionar, com humildade, como podemos manifestar o amor divino nesse cenário. A intenção do Papa para o mês de fevereiro nos convida a voltar o coração para uma das realidades mais dolorosas da humanidade: as crianças que sofrem de doenças que não tem cura.
Essas crianças, frequentemente privadas de uma infância completa, demonstram uma força silenciosa que nos provoca de maneira profunda. Em seus gestos simples, sorrisos breves e luta diária, há um testemunho de coragem que nos mostra que a esperança não vem da ausência de sofrimento, mas da presença de um amor que ampara. Elas nos lembram que cada vida, mesmo afetada pela doença, tem uma dignidade inestimável.
O Papa também nos incentiva a considerar as famílias, que suportam uma carga emocional, espiritual e material enorme. Pais e cuidadores experimentam uma mistura de angústia, cansaço e esperança, frequentemente se apoiando apenas na fé e no amor que sentem por seus filhos. Ao rezarmos por eles, estamos pedindo que encontrem pessoas, organizações e comunidades que os acolham com compaixão genuína e apoio constante.
Ao abordar a necessidade de cuidados médicos e apoio, o Papa nos recorda que a caridade cristã não deve ser apenas um sentimento, mas deve se concretizar em ações: políticas públicas equitativas, acesso à saúde com dignidade, presença pastoral, escuta atenta e gestos simples de proximidade. Cuidar é uma maneira especial de amar, e amar é fazer parte da missão de Cristo, que veio para servir e aliviar o sofrimento, porque, “Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor” (1Jo 4,8).
Aliás, essa intenção nos convida a manter a esperança, mesmo frente ao que é incurável. A fé cristã não garante a eliminação da cruz, mas garante que nenhuma dor é em vão quando experimentada em comunhão com Cristo. Ao orarmos por essas crianças e suas famílias, solicitamos também um coração mais sensível, que possa converter a oração em compromisso e a compaixão em ação.
Francisco Javier Viafara Viafara é seminarista da Consolata em São Paulo, SP.