O que tá pegando?

Observamos de fora (ou nem tanto) a gradativa invasão em nossos espaços domésticos de aparelhos eletrônicos: computadores, mp3s e outros trequinhos que enchem os olhos e o dia-a-dia da nossa criançada. Com estes aparelhos, chega também uma nova linguagem, quase corriqueira para uma parcela dos nossos leitores: blogs, flogs, orkut, downloads, chats etc. Outro dia refleti sobre o quanto é paralelo este universo da internet, ao qual estão submetidos as nossas crianças e adolescentes (aliás não só eles). É um mundo totalmente desconhecido para a grande maioria dos adultos, que acabam por deixar que suas crianças e adolescentes se distraiam diante da tela mágica dos computadores (ou PC, abreviatura de Personal Computer). É bacana, é “manero” conhecer o bloguês, falar através de monossílabos quase enigmáticos aos olhos menos atentos, a rapidez de um bate-papo no Messenger (apesar dos arrepios causados aos mestres defensores da nossa língua materna). Os meninos e meninas que dominam esta linguagem “se acham”, como diriam os seus colegas de escola. Obscuro revelado ou revelado obscuro? amos lembrar aqui o momento que o menino Samuel despertou a sua vocação profética, sendo chamado pelo próprio Javé (I Sm 3, 1-4, 1). Ele demorou a perceber que a voz de Deus nos coloca a serviço do seu Reino e outras vozes que ouvimos muitas vezes contribuem para uma estrutura de sociedade que escraviza. Em nossos dias, a sedutora voz da internet se apresenta também como uma terra sem lei, cheia de impunidade, um mundo que presta um desserviço à formação das nossas crianças e adolescentes quando não a acompanhamos. Não se trata de diabolizar a internet, mas de fomentar a reflexão entre a utilização da mesma pelos nossos meninos e meninas, quando pajeados por estes equipamentos eletrônicos. Vamos contribuir de fato para que as nossas crianças tornem-se jovens e adultos sujeitos ativos de sua própria história? Assim como Jesus em Cafarnaum trouxe ao centro a criança desvalorizada na época (Mc 9, 36), quero reforçar aqui que este modelo de sociedade não serve a este propósito porque nos quer apenas como consumidores. Um dos nossos desafios como missionárias e missionários, é estar atento ao novo que nos cerca, abertos ao “serviço, testemunho e palavras, partilhando a fé com os irmãos e irmãs” (Diretrizes e Orientações da IM), sendo, no entanto, “prudentes como as serpentes e simples como as pombas” (Mt 10, 16b). De todas as crianças do mundo – sempre amigas!
Roseane de Araújo Silva é missionária leiga e pedagoga da Rede Pública do Paraná.
Categoria: Infância Missionária












