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Queremos mundo de paz

Segundo o UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), há cerca de 100 milhões de crianças de rua no mundo, desse total 40% só na América Latina, 30% na Ásia, 10% na África. Em nosso país, o índice de crianças e adolescentes mendigando nas ruas é altíssimo. Temos dois exemplos a apresentar: primeiro Belém, na Região Norte, e em seguida São Paulo, maior cidade do país. Na capital do Pará, uma pesquisa detectou 2.328 crianças e adolescentes de rua, dos quais 79% trabalhavam; 12,9% perambulavam e dormiam nas ruas; 2,6% esmolavam, 2,3% se prostituíam e outros 3,2% encontravam-se em outras situações, incluindo os drogados e alcoolizados.

Segundo um estudo recente realizado em São Paulo existem em torno de 1.030 crianças e adolescentes (dados preliminares) sobrevivendo nas ruas, não incluindo neste total as crianças que trabalham ou esmolam. Estima-se que 3.000 crianças e adolescentes vivem nas ruas paulistas. Eles passam um bom tempo cometendo pequenos delitos, utilizando drogas e pedindo esmolas. Esta pesquisa revelou ainda, que 90% destas crianças sabem quem são os seus pais e optam pela vida nas ruas. A pesquisa resultará na integração dos pais destas crianças e adolescentes em programa socioeducativos. Dessa maneira, São Paulo integra-se a outras capitais brasileiras que desenvolvem campanhas contrárias à esmola, buscando desestimular a doação de dinheiro e prestação de serviços de crianças e adolescentes que trabalham na rua, integrando-os em programas sociais. Como cantou um dia Luiz Gonzaga, “uma esmola ou mata de vergonha ou vicia o cidadão”.

Raquel chora por seus filhos!

Jesus criança, recém-nascido em Belém, ao receber a visita dos três Reis Magos incomoda profundamente Herodes, que decide “matar todos os meninos de Belém e do território ao redor, de dois anos para baixo (…). Ouviu-se um grito em Ramá, choro e grande lamento: é Raquel que chora seus filhos, e não quer ser consolada porque eles não existem mais” (Mt 2, 16-18). A criança em sua fragilidade é alvo fácil para malfeitores e aliciadores em nossas ruas. Sem defesa, ela é explorada pelos vários Herodes de hoje, no roubo e no tráfico, violando indiscriminadamente sua infância. Há muitas mães que choram a morte dos seus filhos: crianças que junto com seus pais migram por melhores condições de vida, em nosso país, na Europa, enfrentando até mesmo conflitos étnicos.

Assim como Raquel que chorou pelos seus filhos, a Infância Missionária é chamada também a gritar pelas crianças e adolescentes que sofrem e morrem a cada dia nas ruas brasileiras, da mesma maneira que diante do clamor das crianças chinesas, mobilizou toda a Europa para defendê-las. A paz que queremos começa com crianças e adolescentes vivendo com dignidade. Pedimos a benção de Maria, mãe missionária e mãe de Deus que caminha conosco em busca de paz, lembrando o 10o Compromisso da Criança Missionária: “a criança missionária sempre pensa em Nós”. Das crianças do mundo – sempre amigas!

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Categoria: Infância Missionária

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