Hoje da missão
Começamos a nossa reflexão com o hoje da Missão. Foi assim que aconteceu com a ação de Deus na história da humanidade. O povo escravizado clamou por libertação e Deus enviou um Salvador. Foi assim a primeira Missão na história. Mais tarde foram os pobres que gritaram e Deus escutou, e assim por diante, até os nossos dias. Por isso podemos afirmar que a Missão nasce também hoje no contexto concreto do povo sofrido.
As perspectivas da Missão
Estamos vivendo um tempo de mudanças, como nunca se viu antes. Um mundo globalizado que faz da Terra uma aldeia; um mundo caracterizado pelas altas tecnologias da comunicação que encurtaram as distâncias no tempo e no espaço. O imediato é tido em alta consideração, pois o passado já não nos pertence e o futuro ainda não está ao nosso alcance; a movimentação das pessoas por causa das migrações, turismo, comércio e cooperação internacional aproximou povos e culturas; a crise da democracia formal, das instituições civis e religiosas está criando o desajustamento das instituições comunitárias que regiam a sociedade.
Contemporaneamente aparecem novas dependências e novas exclusões: o aumento da diferença entre ricos e pobres, os mais ricos sempre mais ricos e os mais empobrecidos sempre em maior número; o comércio humano que humilha profundamente a dignidade de crianças, jovens e mulheres; os movimentos migratórios como nunca aconteceram em toda a história, sem conseguirem processos culturais de integração das diversidades; as culturas desprezadas ou marginalizadas no contexto da globalização; a pandemia do vírus HIV e doenças endêmicas na maioria dos países ao sul do hemisfério; os equilíbrios sociopolíticos frágeis que facilmente degeneram em conflitos armados sem solução; guerras esquecidas na África e Ásia; terrorismo generalizado em qualquer parte do mundo; e auto-afirmação de fundamentalismos culturais e religiosos.
Este nosso mundo – a natureza, as pessoas – sofre as dores do parto. A crise em si mesma considerada não é má nem boa. Trata-se simplesmente de um processo de gestação de algo novo. É um momento que faz possível o ressurgir de um mundo novo, desde que as pessoas assim o entenderem e se empenharem em consegui-lo. É o grande desafio de todos e da Missão em concreto. Trata-se de uma ação comum entre
Entre todos os desafios que a situação atual do mundo nos apresenta, indico alguns, considerados como mais urgentes pela sua incidência nos mais variados âmbitos da vida: a pobreza nas suas duas vertentes, econômica e social; a cultura, com os processos mais generalizados da identidade cultural e da inter- culturalidade, com todas as suas implicações na construção do futuro da humanidade; e o diálogo intercultural e inter-religioso. As religiões só encontrarão a sua unidade, não na conversão dos membros de uma confissão religiosa para a outra, nem no abandono das próprias convicções mais íntimas. Não é esse o caminho, mas sim, o compromisso na luta pela justiça, paz e conservação da natureza, isto é, na luta contra tudo o que oprime os homens e as mulheres deste planeta e neste tempo. Amar o nosso tempo, partilhar as suas dores e anseios mais profundos por um futuro melhor e comprometer-se nas lutas justas pela sua libertação integral, eis as perspectivas da Missão hoje. n
* Francisco Lerma Martinez é Bispo, missionário e antropólogo.
Categoria: Formação Missionária












