Cativada pela simplicidade
Maria Esperanza, 39 anos, colombiana, é missionária da Consolata na Espanha. Manifesta a importância da família e da comunidade em seu processo vocacional.
Somos sete filhos, três mulheres e quatro homens. Na convivência simples do lar aprendi os valores da partilha, da aceitação recíproca, a acolhida do diferente. No bairro, o companheirismo, a cordialidade, a espontaneidade. No testemunho e presença dos seminaristas da Consolata aprendi a paixão por Jesus Cristo e o Reino, a interculturalidade e o Ad Gentes. O contato com eles, provenientes de diversos países, despertou minha curiosidade: como podem estar dispostos a sair da própria terra e dar a vida para a construção do Reino de Deus? Por que tanta doação e empenho na busca de uma sociedade mais fraterna e justa?
Uma Igreja simples
Nos grupos juvenis me deixei cativar pelo rosto de uma Igreja simples, despojada, aberta e próxima das pessoas. Uma Igreja corajosa, capaz de denunciar o que afasta a humanidade do sonho de Deus. Uma Igreja de mulheres e homens autênticos, aberta ao universal e solidária, num mundo sem fronteiras. Deixei-me cativar pelo Reino de Deus.
Iniciei o processo de discernimento vocacional no grupo juvenil da Consolata, JUCRIS, de onde passei a caminhar com as vocacionadas das Irmãs. Nesse período passei por luzes e sombras, alegrias e dificuldades. Pois, querer ser “discípula do amor” é aprender a deixar-se guiar pela força do Espírito, que opera e liberta desde o mais profundo do coração, que marca e transforma a vida de quem encontra o Ressuscitado. Ingressei no Instituto Irmãs Missionárias da Consolata, na Colômbia, em 1989. Após um ano já me encontrava na Itália com um grupo internacional de jovens da Polônia, Itália, Quênia, Tanzânia, Moçambique, Inglaterra e Portugal. Fiz a Profissão Religiosa em 1998, prosseguindo os estudos em Roma. Ao terminá-los me dispus a servir o Reino aonde fosse chamada. Fui enviada a Madri para a Animação Missionária.
Missão, vida e ser do cristão
Na Espanha fui compreendendo uma vez mais que a missão é que dá vida ao nosso ser cristão. E o meu ser missionária é que me anima no aqui e no agora. Desperta-me e projeta para o mais além, onde Jesus ainda não é conhecido. Quando olho as novas gerações, sem valores transcendentes que lhes ilumine os horizontes e vejo tantas situações desumanas de vida, faço minha a preocupação de São Paulo: “Como vão invocar sem antes crer nele? Como crer nele sem antes escutar? Como escutar sem pregador?” (Rom 10,14). Sim, nós somos os canais de vida nova: Cristo não tem mãos, tem somente as nossas para realizar seu trabalho hoje; Cristo não tem pés, tem somente nossos pés para chegar até às pessoas; Cristo não tem lábios, tem somente nossos lábios para anunciar seu Evangelho.
Categoria: Chamados, Testemunhos













